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O CANTE DOS GANHÕES

As raízes do cante alentejano perdem-se na História, como na história de Castro Verde se perde a origem de um cantar ligado à terra, cuja a tradição “Os Ganhões” perpetuam. Hoje, como ontem, “Os Ganhões” mantêm a sua autenticidade. Herdeiros de uma tradição que é sua: a de um cante que já foi de trabalho, que agora mais de lazer e de convívio, mas sobretudo, e sempre, de afirmação cultural. Um cante da planície cantado por homens de face rugosa, habituados ao sol que incendeia a tarde, sedentos de partilharem este saber antigo, talvez tão antigo como esta terra onde habitam: ALENTEJO de seu nome. Um Alentejo que “Os Ganhões” têm levado consigo na voz e na maneira de estar, a todo o país e a alguns festivais internacionais, onde evidenciam uma particular importância ao aspecto etnográfico e à recolha do cancioneiro popular, tendo no seu reportório algumas das mais genuínas modas do Baixo Alentejo, numa polifonia rica em tradição mediterrânica.

"Quem nasceu no Alentejo tem o Alentejo dentro de si para sempre. Por isso, o Alentejo é infinito. As planícies parecem não ter fim porque não têm fim de facto. Dentro da gente, existem campos com sobreiros e azinheiras, existem rostos enxovalhados pelo sol, pele que tem as rugas da terra. Dentro da gente, existem searas.

O cante é a voz dessa terra infinita. Os homens descem pelas ruas quando voltam do campo ao fim da tarde. Nos olhares, trazem o pó queimado pelo sol. Nessa hora, pouco antes do sol-pôr, nasce uma aragem nos rostos dos homens. Essa aragem fresca passa pelas pedras das ruas, pela cal das casas onde houve vida e morte, pelos sorrisos, pelas crianças que brincam na rua. O cante é essa aragem."

José Luís Peixoto